Topografia

Topografia

Por que ?

Desde o início das civilizações, a curiosidade humana motivou exploradores a conhecer cada vez mais a terra. Passando pelas navegações de egípcios, gregos, vikings e ibéricos, ou pelas pesquisas científicas do século XIX, sempre houveram relatos de grandes viagens e mapas feitos a partir das informações recolhidas. Hoje, podemos dizer que mapeamos a superfície do planeta de todas as formas. Os satélites terminaram por consumar a história de mapeamento.

Mas na espeleologia ainda resta muito a conhecer, e os mapeamentos ainda dependem de viagens e observações em campo. Como na longínqua época das explorações, ainda é uma atividade puramente exploratória e imprevisível. Daí vem o seu fascínio.

A aplicação de um mapa de caverna hoje é fundamental para o progresso e documentação das explorações, servindo de base para estudos de proporções, desenvolvimento, relação com as formas superficiais e mesmo conexões entre diferentes cavernas. Além disso, um mapa é a base para qualquer tipo de estudo científico a ser realizado.

 

Metodologia

Os primeiros mapas espeleológicos que se têm notícia apareceram no séc. XVI. Partindo da simples observação e anotação, nascia a alma do mapeamento de cavernas, o croquis feito “in loco”. Este tipo de desenho esquemático consiste na observação das formas, proporções e desenvolvimento da gruta e sua tradução em projeções horizontais, seções e perfis.

Já no séc. XVII aparecem os primeiros mapas contendo orientação geográfica e escala métrica. Destes tempos para hoje, a grande mudança foi somente a busca crescente pela precisão na coleta e processamento de dados.

Hoje o sistema mais aplicado e eficiente é o de bases topográficas interligadas por visadas, seguindo o desenvolvimento da cavidade tanto em galerias, abismos e salões. Sobre esta base são locados pontos de interesse como entradas, clarabóias, cursos de rios, cachoeiras, espeleotemas e outros. O processo básico é a topografia realizada por uma equipe onde cada espeleólogo desempenha uma função:

  • Croquis: A função do croquista inclui a já descrita elaboração do esquema gráfico contendo as bases topográficas e a coordenação do trabalho.
  • Bússola e clinômetro: Esta pessoa fica responsável pela leitura dos dados da visada relativos a azimute (orientação da visada na bússola) e inclinação (relação métrica da visada com o plano horizontal, lida no clinômetro).
  • Ponta de trena: Esta função consiste em marcar o local exato da base topográfica, auxiliando a leitura da bússola e clinômetro, além de medir a distância da visada com a trena, ou seja, medir a distância entre uma base e a seguinte. Em geral o croquista e o ponta de trena seguem à frente da topografia.
  • Anotação: O anotador fica com uma planilha onde são anotados os dados de cada visada, além das chamadas características de cada base, que são as medidas de altura e laterais relativas às paredes da galeria ou salão. Essas medidas podem ser tomadas pelo ponta de trena ou por um “quinto elemento” usado especificamente para tal fim e ainda com possibilidades de colocar fitinhas de identificação nas bases e tudo mais.

 

Equipamentos

  • Cartas topográficas e ortofotocartas: São recursos importantes na exploração e estudo detalhado de áreas com potencial espeleológico, possibilitando identificação geográfica da gruta. A ortofotocarta, ou simplesmente ortofoto, é um tipo de foto aérea que fornece uma projeção em escala precisa, já a carta topográfica é uma representação gráfica da morfologia externa, contendo curvas de nível, hidrografia, estradas, etc..
  • Receptor GPS: É um aparelho ligado a um sistema mundial de posicionamento geográfico operado através de satélites (Global Positioning Sistem). Com ele é possível localizar, por exemplo, a entrada de uma gruta relacionando-a com o ambiente externo através das coordenadas.
  • Bússola: Fornece o azimute das visadas em graus, relacionando esta com o Norte magnético.
  • Clinômetro: Fornece a inclinação, em graus positivos ou negativos, entre a visada e o plano horizontal.
  • Trena: Com ela se determina o comprimento, em metros e centímetros, de cada visada. Atualmente a maioria dos espeleólogos utiliza trenas à laser.
  • Planilhas de croquis e anotação: É onde são anotados à lápis os dados da topografia e croquis. Em algumas situações são utilizadas planilhas à prova d’água, feitas de poliéster.

 

O fechamento do trabalho e a produção do mapa

Depois de todo esse trabalho, os dados das visadas são lançados em programas de computador específicos, como o Smaps e On Station, que produzem um gráfico vetorial tridimensional com a locação de cada base e visadas. Deste gráfico é tirada uma projeção horizontal, ou em perfil. Isto já é a base representativa do desenvolvimento da gruta em escala.

Para finalizar entram os dados de forma das galerias e salões vindos do croquis, marcação de pontos de interesse, junto com as características de cada base. Esta parte geralmente é feita em um programa informático de desenho.

Ao final temos um mapa em escala, contendo a forma e proporções da cavidade e todas as suas particularidades, tudo isto representado de acordo com normas de representação gráfica definidas. Além disso é feita uma locação da entrada da gruta em coordenadas (geográficas ou UTM), dado obtido hoje com um GPS (Global Positioning Sistem), permitindo a relação com a morfologia externa e a identificação da cavidade em um cadastro específico (Nacional ou Internacional).

Tudo isto possibilita hoje conhecer mais as grutas e inclusive auxiliar na sua documentação precisa e proteção. Mas a intenção de explorar e traduzir uma forma natural em algo palpável existe desde tempos imemoriais.