A história do Bambuí

37 anos de história de vida, com muitas aventuras, descobertas e explorações subterrâneas!

Este ano o Grupo Bambuí comemora 37 anos de existência. Com certeza um tempo maior que a idade de uma boa partes de seus sócios atuais e que, sem dúvida, representa uma etapa importante da vida de todos. Foram tantas viagens, expedições, descobertas, explorações… Festas e mais festas; incontáveis mesas de bar… Amizades que surgiram e cresceram dentro do Grupo, alegrias, momentos inesquecíveis e saudade dos que se foram.  Isso sem falar dos casais que acabaram se formando literalmente dentro de uma caverna. Vários… Uma data que deve ser intensamente festejada, relembrada e perpetuada para próximos anos. Afinal não é todo dia que atinge uma idade destas.

“Simplesmente queríamos ir até onde estavam as grandes cavernas.”

Desde o início, em 1983, o Bambuí não se contentava em explorar e pesquisar as áreas cársticas já conhecidas. E aos poucos as expedições foram tomando rumos cada vez mais distantes, rompendo os limites territoriais do nosso estado (Minas Gerais) e avançando, rumo ao desconhecido. O sertão da Bahia ou de Goiás já não pareciam tão distantes…

Abaixo algumas histórias de fatos e descobertas que marcaram o grupo:

Gruta Olhos d’Água

Em julho de 1984, durante uma expedição ao município de Itacarambi, no norte de Minas Gerais, foi descoberta a Gruta Olhos d’Água. A gruta é percorrida em quase todos os seus 9.100 metros de extensão por um córrego, que abriga uma espécie de peixe-cego e troglóbio: Trichomycterus itacarambiensis, recentemente descrito formalmente .

Operação Tatus II

Estima-se que milhões de pessoas assistiram na televisão, em julho de 1987, às reportagens sobre a Operação Tatus II. A permanência de 13 espeleólogos durante 21 dias no interior da Gruta do Padre, no município baiano de Santana, é considerada por muitos como um dos marcos divisores na história da luta pela preservação do patrimônio espeleológico brasileiro, tamanha foi a sua divulgação. As emoções da descoberta de raríssimas formações minerais, de novas espécies de crustáceos cavernícolas e de ossadas de animais já extintos, a exploração de enormes galerias e salões foi compartilhada com todo o Brasil. Sem relógios e sem noção do tempo, a equipe não teve dificuldades em concluir a topografia: tratava-se na época da maior caverna da América do Sul, com 15,8 km de extensão.

Toca da Boa Vista

Mas foi em janeiro de 1987 que o Grupo Bambuí realizou sua maior descoberta. Explorando a região de Campo Formoso, no norte da Bahia, três espeleólogos encontraram dois abismos e uma entrada de caverna que se comunicavam através de uma complexa rede de galerias. O labirinto se ramificava a tal ponto que a única maneira de explorá-lo era realizar ao mesmo tempo o seu mapeamento topográfico. Hoje, com mais de 100 km de galerias explorada e potencial estimado em mais de 150 km, a Toca da Boa Vista é a maior caverna do hemisfério sul figurando entre as 12 maiores cavernas do mundo.

E como se tudo isso não bastasse, a segunda maior caverna brasileira também está na mesma região. A Toca da Barriguda, com mais de 30 km explorados, reproduz as mesmas características de sua vizinha a Toca da Boa Vista, sugerindo que no futuro as duas se fundam em um gigantesco sistema (atualmente somente 700 metros separam as duas cavidades).

Além das atividades envolvendo a exploração e topografia, diversos trabalhos científicos têm revelado aspectos sobre a gênese das grutas, sua fauna e o paleoambiente na região. Em suma, a região de Campo Formoso é sem dúvida uma das mais bem estudadas sob o ponto de vista espelelógico.

Tempo Passado – Tempo Presente

Outro evento de grandes proporções foi a exposição de espeleologia, arqueologia e paleontologia “Tempo Passado. Tempo Presente”, reunindo um amplo acervo das três ciências numa amostra sem precedentes no território nacional. Durante 30 dias o Palácio da Artes transformou-se em um cenário pré-histórico, onde o visitante podia observar fósseis e pinturas pré-históricas, e até mesmo participar da “exploração” de uma caverna. O público, em sua maioria formado por jovens, compareceu maciçamente, somando mais de 50 mil visitantes.

Pico do Inficionado

Em janeiro de 1996 uma descoberta a poucos quilômetros de Belo Horizonte iria estabelecer novos conceitos em termos de grutas verticais. No município de Mariana, no Pico do Inficionado começava a ser explorada a Gruta do Centenário. O tipo de rocha onde se desenvolve a cavidade, o quartzito, não é favorável aos processos espeleológicos convencionais. Mesmo assim, em poucos meses tornou-se a mais profunda do Brasil, superando marcas históricas e tradicionalmente encabeçadas pelos abismos do Vale do Ribeira, em São Paulo. Mas o Centenário não ficaria por aí. Hoje detém também o título de maior desnível (481 metros) e mais extensa cavidade do mundo em quartzito (3.790 metros).

O trabalho na região deve atravessar décadas, uma vez que já foram identificadas dezenas de abismos a serem explorados. Dentre estes destaca-se a Gruta da Bocaina, que já atingiu a profundidade de 404 metros e possui grandes possibilidades de continuações.

Expedições conjuntas

O intercâmbio com outros grupos brasileiros e internacionais tem proporcionado resultados positivos. Expedições franco-brasileiras realizadas no Mato Grosso do Sul (1991 e 1992) em Goiás – Goiás (1994 e 1997) e na Bahia (1999 e 2001) serviram para divulgar a espeleologia brasileira internacionalmente, além de favorecer o aprimoramento técnico e científico entre os grupos. Na última delas, em conjunto com o Groupe Spéléo Bagnols Marcoule da França, realizada em junho de 99, na serra do Ramalho, foram descobertos e explorados mais de 23 km de cavernas, destacando-se a Gruna da Água Clara (13,7 km) e a Gruna do Boqueirão (11,5 km). Além da extensão, as grutas da região destacam-se pelos ricos depósitos fossilíferos e sítios arqueológicos.

O Carste

Documentando suas realizações, o Grupo Bambuí edita trimestralmente a revista O Carste. Ao longo de vários anos de existência, o periódico tornou-se um importante veículo de divulgação, tendo como principais méritos a regularidade, variedade de artigos e a qualidade gráfica comparada com as melhores publicações espeleológicas do mundo. As edições são distribuídas para centenas de espeleólogos, sendo a principal referência da espeleologia brasileira.

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